Foi que tive vontade de chorar, mas não consegui.
Ontem minha avó morreu; não éramos próximas, e, sempre vi algo de malvado e perverso em sua personalidade. Ela sempre enxergava o mal antes do bem, as pessoas todas do mundo já eram ruins por existirem, tudo era o mal pairando ao redor; a mulher que passava apressada na rua não iria ao trabalho, mas, encontrar o leiteiro. A menina que brincava doce com a bola logo estaria grávida, meu tio iria falir, minha mãe iria surtar, etc, etc. Com a noticia de sua morte, curioso, não foi nada disso que me veio à mente. Lembrei de coisas muito vagas, numa infância remota, quando ela distribuía balas aos netos, e, notando minha insatisfação enchia, escondido, para que nenhum outro neto visse, meus bolsos de bala. Um dia ela me perguntou: " E o que você vai ser quando crescer?" "Astronauta." E vó Adelaide ria completando "essa dai é mesmo aluada".
Fico pensando, se um dia eu for bem velha e acabar vendo todas as coisas como vovó Adelaide, será que experiência de vida é enxergar as coisas todas ruins? O mundo é assim tão mau, e todo aprendizado nos ensina a desconfiar?
Ontem eu soube de sua morte...
_ Mas mãe... Você achava que a vovó viveria para sempre? _ E chorando ela respondeu:
_ Eu queria. A gente nunca pensa que vai perder nossa mãe.
Tive vontade de chorar, mas não consegui.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário