terça-feira, 18 de outubro de 2011

A chuva caindo.

Heidegger: Isto é um sinal que sinaliza e aponta o des-velamento.
Kant: Um fenômeno, longe de ser a chuva em si.
Nietzsche: "E zaratustra olhando os animais disse: Apenas os sábios podem tomar chuva sem se molhar."
Sócrates: _ Alcibíades, venha até minha casa tomar umas lições.
Platão: Não comparecerei ao banquete, mas poderei escrever sobre.
Aristóteles: O prudente estava com o guarda-chuva na bolsa.
Hegel: Chove e não chove, todas as coisas são contraditórias em si.
Kierkegaard: Hegel é um palhaço.
Hölderlin: O povo alemão, é agraciado pelos deuses, com a água da chuva, que correrá pelas cristalinas fontes banhando e irrigando os verdes campos da pátria que mais uma vez revejo em seu eterno explendor.
Roberto Machado: Eu num gósto de chuva. E se aqui comehça a chuver eu vou pra Bahia e vou pra ler Proust.
Carneiro Leão:Todas as possibilidades..., do elan dos acontecimentos humanos que são e que também não são, que foram e que jamais deixaram de ser, não perdem a sua vicissitude por uma mera chuva, dizia muito bem Sigismundo Froid...
Gilvan: Ah, vou preparar um toicinho.
Santoro: Katá to Kreon didonai, 'einai, estin 'ek.
Spinoza: Natureza.
Tomás de Aquino: A=C
C=A
logo, hoje chove.
Guilherme de Ockham: Ta chovendo só pra mim e ninguém mais! Pode até chover pra você, mas a chuvosidade da chuva não é a mesma.
Heráclito: Vou morrer.




quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Biografia

Todos os fios e fios, tecidos
que me guardavam e protegiam
já estavam muito gastos,
eles se romperam
e eu saí do casulo
querendo apenas ver o mundo e não ter
ninguém para seguir.
Fiquei farta de gentileza e
de sorrir com farça,
alegria não é estupidez
e nos dias de hoje
eu prefiro ser a"sem graça".
Aceito mesmo é minha tristeza,
porque ela é uma trapaça:
que avassala e corrompe
mas apenas por ela irrompe
a fonte de alegria
que existe em mim.

Cansei de rede social,
de fazer social,
de querer ser social,
de engajamento social,
de consciência social.
O que eu tenho com isso?
Nada.

Saí do casulo,
virei sim, boborboleta;
eu não tenho nada, ninguém
que me comprometa,
e para me questionar
basta mais alguém,
senão a mim, mesma?




terça-feira, 11 de outubro de 2011

O pàssaro

Não! Não me venham com a correria
de quem trabalha e quer "ser" na vida.
Não, eu não quero correr,
nem me engajar,
nem protestar.
Ah... mas isso cansa. Como cansa.
E não se enganem,
não sou niilista, budista ou taoista,
eu respeito o meu ritmo,
eu sou assim.

Gosto de acordar bem cedo
de olhar a noite e esperar o sol.
Preciso de calma, para poder existir.
Gosto de preparar meu café,
de comer meu pãozinho,
de prefêrencia sentada,
sem ouvir, ler ou falar nada.
O meu ritmo é a calma,
eu sou assim.

Gosto de andar na rua, de tomar o trem,
de partir sem rumo; ah...;
eu desaprumo;
me deixa ser,
eu sou assim.

domingo, 9 de outubro de 2011

O velho no tempo

Anoiteceu e
o velho da cabana sentia
a irrupção de um amanhã
leve, doce, manso
sobrevindo.

Num gesto de cuidado
o velho abriu a janela,
a porta, sentou na varanda.
ele queria esperar
os primeiros raios de sol.

Bichos, àrvores, flores
pareciam, no silêncio da noite,
guardados na escuridão.
o velho não dormia,
não se poupava,
o velho tranquilo da cabana,
aguardava de sua varanda
os primeiros raios de sol.





domingo, 18 de setembro de 2011

O retorno da entediada!

Das Angústias Contemporâneas


Eu sempre morei longe. Num determinado momento isso se tornou inevitável e irrevogável, parecia necessário estar distante. Da janela eu vejo a chuva cair, o céu escurecer e parece que essa distância é um espaço infinito. Quando penso... Tristeza foi a razão de descobrir que sempre seguindo o aceno do lar eu fui me perdendo. Tudo foi erro?
Cai; cai a chuva e não consigo saber há quanto tempo isso me distraiu. Do lado de fora a chuva, fria, fina e continua prenunciava o que seria o outono, sob o ritmo da chuva tudo estava se guardando, nada morre no outono, tudo se guarda. “Mas que ridículo” eu penso, “deixa a natureza ser sem o Heidegger, vai?!”
Quatro horas depois: rádio ligado, vinho consumido, chocolate à mãos; eu olho da janela, ainda distraída mas agora sem saber, alegre ou triste? Num sei... mas me sinto enfim, ligeiramente perto de casa.