domingo, 30 de setembro de 2012

Lembrança de Álvaro de Campos

A vida de agora
As horas de agora
Chega um domingo e
parece que as horas da vida evaporam
e sufocam
e todo agora
fica adiado para outra hora, qualquer hora
mas hoje não.
Hoje eu tenho o tédio do mundo
e o cansaço das horas.
Tudo agora me devora:
o tédio, o domigo e as horas.

Vou arrumar as malas!
Entrar num navio!
Me embriagar!
Mas isto não é alegria
não é sequer alforria
é apenas o peso das horas
que não degola
mas badala e assinala o tédio.
Tudo: não é nem nada.
Eu tenho o cansaço das horas.
Vou arrumar as malas!
Entrar num navio!
Vou me embriagar!
Isso não é alegria
Não é alforria
Isso não é nem
nada.