segunda-feira, 30 de março de 2009

águas de março que fecham o verão

Volto para casa enfim. A semana inteira no centro da cidade é algo que desnorteia; Pois olho da janela do meu quarto, e o que vejo é disforme, sem ritmo... Prédios enormes, sujos, se esbarrando um nos outros, emparelhados em ruelas feias, estúpidas e promíscuas. A vista da cidade é cansativa, as pessoas igualmente. Falam, falam, falam, ai Deus como falam! Sorte que tenho um defeito que veio a calhar em virtude. Quando começam a falar demais no meu ouvido as palavras começam a se perder, vira tudo palavrório desconexo, que eu não entendo. Falam demais, desbafam demais... "Eta vidinha besta"
Mas voltando para casa, tudo vai ficando mais agradável. Primeiro a paisagem, que se engrandece pelo horizonte, depois, de hora em vez da pra ver vaca, comendo capim, bailando co' as ancas, mugindo de querência, riscando pasto nas patas. Eis a minha zoninha rural, é daqui que eu gosto. Campo Grande!, é claro, nem toda Campo Grande é assim, pena, anda aderindo-se demais ao Rio de Janeiro.
Mas não foi sempre assim, antigamente aqui parecia a Sicília. Isso contava meu pai, justificando o motivo de ter escolhido este lugar como abrigo. Dizia ele, que na Sicília também havia montes de capim quase seco, com casinhas bem pobres espalhadas a um canto e outro, tinha muito pé de laranja, muita cabrinha brincando, muito bicho solto... Campo Grande ainda tem disso.
Vou me aproximando de onde moro. As ruas de paralelepípedos vão dando o tom do passo. Molhadas ainda, com folhas e pocinhas no chão, com o moço que limpa a rua varrendo, com a dona Maria me dando um oi, falando pra aparecer em casa dela mais tarde...
Em casa a cozinha é meu azilo(por favor sem piadinhas) esses dias minha mãe me esperava com bolo de chocolate, que eu tava pedindo faz tempo. Daí as horas vão passando ali mesmo, na cozinha, prosa boa, confiante..., de tardinha aparece algum vizinho pra passar o tempo também... Parece que é só assim que me sinto em casa, é só assim que fico a vontade, de nenhuma outra maneira, mas assim., e num adianta forçar simplicidade, isso pra mim, é das coisas mais ridículas que se tem.
De tarde vou a janela e fico olhando o céu, chuvoso, a rede, molhada, os cachorros,lamacentos, o pé de ypê, quase em flor... Ouço bem longe o celular tocar, não atendo, não gosto de atender mesmo, e provavelmente não gosto de quem será; porque amigo meu mesmo sabe que sou assim e acaba nunca ligando, deixa por conta da vida os nossos encontros, ou então vai lá em casa e pronto. E mesmo se eu num fosse assim, tão ensimesmadinha, não atenderia, ainda mais quando estou na melhor parte do livro, onde não é o clímax, não há tensão, e nem é o fim, mas aquele momento na qual o escritor já cansado de sua imaginação, deixa a personagem viver por si. Da janela, sem pensar, apenas olhando, a chuva cair.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Pra não falarem que parei

Lembrança de Tom Sawyer

Bolhinhas que fazem cosquinha no nariz
refrigerante
mundo que flutua pelo ar
bolha de sabão
Que prazer! Não ter nada o que fazer.

Perdi o papel em que o havia escrito, tentei lembrar mas num ficou igual! Depois eu vejo...