terça-feira, 27 de outubro de 2009

Oh Mestre Bashô



Ruídos nas ramas.
Trêmulo, meu coração
detem-se e chora na noite...


Outono
Empoleirado num ramo seco
um corvo


Viagem de anciões,
Cabelos brancos, bastões-
visita aos túmulos.


E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?


Ameixeira em flor
o rio leva de verdade
suas flores refletidas?


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vendida

Oh Deus eu me pergunto:
O que é a arte hoje em dia?
O que seria meu Deus?
A arte hoje em dia, oh! O que seria?
Um cuspe fincado no chão!
Uns e alguns, sim diriam.
Seria?
Sim! Sim!
Poderia.
E provavelmente muitos opinariam
e teceriam
seus comentários
e pensariam
e rediriam.
Mas e a arte oh Deus?! Seria isto?
Seria? Seria?
Opiniões importantes sobre
um chão cuspido?
E afinal esta poesia?
Sim. Esta poesia.
Seria arte? Alguém diria?
Eu diria! Claro! Diria!
Mas quem mais?
Alguém mais diria?
Quem diria?
Quem?!
Dole uma
dole duas
dole três!

Poesia Socrática

Era aula e eu ouvia, mas sentia
Dois olhos, que me queriam
Ah... Como queriam.
Ele lá eu cá
E nossos olhos, ali, nos unindo.
Eu não sabia
Ele não sabia
Não sabíamos...
Sabíamos?
O olhar entrega a vontade da alma
Ele me queria, queria meus olhos queria meu corpo
E eu correspondia
Também o queria!
Se queria...
Foi quando no tão esperado
“Fim de aula”
Encontramos-nos!
Frente à frente;

Ele sorriu
Eu sorri
E ri.

A medicina não engana.
Almas! Que almas?
“Astigmatisme vous savez?!”

domingo, 11 de outubro de 2009

Encontros e Desencontros

Vou errando pelos caminhos,
por essas vias,
a vida.
Andar, carece de vagar no passo.
Assim passo,
me perdendo... (Só pode ser este, o dito compasso!)
...E turbilhão!
Cá estou eu, de novo, no ponto de partida.
Rumar é andança,
Ê dancinha danada,
dança de errância.
Trilhos já dados não bastam!
Ruela bem asfaltada?
A de ó! Isso é coisa de beato!
Viver é desbravar mata fechada.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Primeiras chuvas de inverno

meu nome poderia ser apenas

"Viajante".


Bashô