sábado, 6 de setembro de 2008

Alguns poemas chineses



Frescura de outono


Calmo, tranquilo, durmo o dia inteiro,
velho, doente, esquecido pelos outros homens.
Ao cair da tarde, à entrada de casa,
um imenso tapete de flores de acácia.

Os grous

As pessoas procuram sempre o que lhes dá prazer,
imutáveis as coisas, mutáveis os sentimentos dos homens.
Talvez os grous possam dançar, elegantes e altivos.
Gosto mais deles, de pé, silenciosos, solitários.

No lago

Regressa a menina conduzindo a barca,
com os lótus brancos roubados no lago.
Não pode ocultar sua presença,
a barca deixa um rasto através dos juncos flutuantes.

Sossego

(felicitando-me pelo bom da vida, durante um breve afastamentodos cargos oficiais)

De casaco acolchoado, orelhas aquecidas, sapatinhos felpudos,
no torreão, à janela, sentado à braseira,
corpo em sossego, coração em paz, tarde levantar,
Pergunto-me se os cortesãos na capital conhecem o bom da vida.

Junto ao lago
II

Em águas pouco profundas
nadam poucos peixes.
Quando o grou tem fome,
abre muito os olhos, espera os peixes,
parece sereno,
mas quanta ansiedade!
Difícil distinguir entre o que está fora
e o que está dentro.

Renúncia

O budismo ensina o abandono, a renúncia,
a alma imóvel como água adormecida,
o corpo vazio como nuvem flutuante.
Despi as vestes manchadas de poeira,
libertai-vos do eterno cículo da vida e da morte.


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