Quem é que toca os telhados a essa hora? As crianças dormem. A mulher repousa a face cansada no travesseiro, não dorme, devaneia. Um homem se apega junto ao fogo, pensando em que? em quem? Em nada talvez.
"O que é que toca os telhados a essa hora?" Se pergunta o jovem aflito num leito que não o acolhe. É intenso demais o vigor que lhe palpita no peito. Intensidade meramente fugaz.
Quem afaga os telhados são as telhas que se tocam pois o vento sopra forte e choverá a qualquer hora.
O jovem não consegue permanecer em sua cama. Como é possível dormir com um turbilhão dentro do peito? Quando o sopro que anima a alma se transforma em tufão o próprio corpo já não é mais um abrigo seguro. É preciso se precipitar ao telhado e deparar-se com o ignoto, esse desconhecido que paira no horizonte, toma as feições do vento forte que lhe bate no rosto e balança as telhas das casas e derruba as folhas das árvores. O homem mede forças com aquilo que desconhece e normalmente acaba arrasado, destruído, mas por um único motivo apenas; há nele a memória de sentir-se devastado.
Uma gota toca-lhe a nuca, outra despetala a flor, finda a ventania com um suspiro do rapaz, tal suspiro parece ecoar no vento dizendo "Nunca mais... Nunca mais..." Agora chove. Chove. Apenas e simplesmente chove.
domingo, 31 de agosto de 2008
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