Os chamo assim pois sei que vocês, 3 ou 4 amigos que entram neste blog, gostam de uma lisonja, além do que, eu também gosto de fazer uma média. Pois bem, vocês, 3 ou 4 que aqui entram, apesar de poucos conseguem me aporrinhar bastante com perguntas do tipo " Atualizou teu blog!? " ou "Quando você vai deixar de ser vagabunda e parar de escrever em fragmentos?" Cansada desses comentários infelizes de meus felizes amigos; para alguns pode-se inverter a ordem; eu resolvi escrever! Pra falar a verdade eu vou narrar o dia ou o momento em que fui roubada no ônibus, leiam seus imprestáveis! Pois só faço isso para que se calem um pouco.
Chupem essa manga!
Ia eu. O passo era o de sempre, quase parando; o dia era de inverno; mas um calor dos infernos. Entrei no ônibus (438 sentido presidente vargas) e pobre... Mal sabia que estava prestes a me tornar ninguém. Como antes de tomar o 438, havia passado no banco, a infeliz da carteira ainda estava na mão, guardei num compartimento da mochila e sentei-me. Não havia trânsito então o vento batia em meu rosto e isso me agradava, eu me sentia livre, leve, feliz..., a ponto de esquecer o que eu mesmo precisava fazer na faculdade, acho que num precisava fazer nada, mas por algum motivo eu deveria ir. Fui... E foi a última vez que fui eu. Puxei a cordinha; leitores desatentos e que nem sabem o que leêm, estou no ônibus e não num banheiro; o motorista foi parando, aos poucos..., devagar..., devagarinho..., mas um tranco..., agora vai.., num foi, parou. Quando me postei diante do primeiro degrau um velho maldito (só vim a chamá-lo de maldito instantes depois) caiu na minha frente, derrubou jornais, chaves, etc. Ajudei-o a se levantar, os outros passageiros que queriam descer empurravam, minha mochila estava nas costas, sentir o ziper abrir e fechar, alguém diz algo, me distraio e só me dou conta de que fui roubada quando já estou do lado de fora. Como sou esperta penso " foi ele!" "Ele" era o rapaz que desceu logo atrás de mim; cautelosamente resolvo o seguir e penso ainda " Bandido! Eu é quem vou lhe roubar a minha carteira!" Após o seguir por uns 600 metros, tomo coragem e digo. Não, gaguejo "Olá, eu fui roubada no ônibus! Vi que o senhor desceu atrás de mim, será que não teria visto alguma coisa!?" Sinto muito minha filha, num vi nada, mas tinham uns velhos estranhos atrapalhando na saída..." "Os velhos" pensei, e fiquei pensando.
Depois perdi alguns dias fazendo aqueles procedimentos chatos que os roubados devem fazer, boletim de ocorrência, bloquear cartões, ouvir a mãe brigar, tirar outra carteira de identidade, outro cpf, carteirinha da faculdade... Ah perdi tudo! Até bilhete de loteria! O pior é que tenho certeza que dessa vez eu levava! Fui levada.
Hoje, aqui sentada, narrando esse fato, eu me recordo, dos tempos em que tinha uma carteira de identidade, um cpf..., não só isso. Tinha papel sujo na carteira, notinha fiscal, tiquet de cinema, coisas irrelevantes mas que a gente se apega. Ah... que saudade da minha carteira desbotada...
quinta-feira, 31 de julho de 2008
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2 comentários:
Suzana, fiquei impressionado! A qualidade da sua escrita está MUITO BOA nesse texto! Vc conseguiu desenvolver uma fluência que não decai em coloquialismo; conseguiu transmitir ao texto um ar que te é extremamente próprio (quem te conhece sabe...), uma jovialidade, uma cumplicidade especiais. Gostei muito! Só o que eu acho que vc poderia desenvolver mais é pontuação. Mas nesses refinamentos sem dúvida logo vc estará craque. Um abraço!
Malditos velhos....
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