domingo, 28 de setembro de 2008

A Procura da batida perfeita

Não. Não é sobre a tal música. Acontece que estou mesmo anciosa para o curso de bartender que vou fazer. É amigos... Num mundo competitivo como o de hoje, a gente precisa aprofundar cada vez mais nossas habilidades. Mas não pensem vocês que já sei preparar algum drink, por enquanto eu só bebo mesmo., e em virtude disso, aprendi nessa manhã chuvosa de domingo um coquetel indispensável aos apreciadores dos destilados etílicos.
Então, para você que não tem o estômago lá grande coisa e não consegue degustar com gosto a bebida, com medo do que pode acontecer em seguida, eis a solução:

Ingredientes:
2 folhas de boldo
1/2 xícara de coca-cola (recém aberta ta!?)
1 colher de sobremesa de sal de frutas
1 sonrisal
2 tubinhos de epocler (porque o fígado também merece cuidados)
3 colheres de eparema
1 copo d´água
uma gotinha de limão (a gosto)

Modo de preparo:
junte tudo e beba ( sem medo! Isso é essencial, pois prova que ainda estás bêbado)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Aos papagaios

Era do alto que avistava meu reino. Não tão alto pois meu trono era a cama, nem tão reino pois este era a desordem de meu quarto; que se resumia em livros, trabalhos, escritos., é claro que haviam também uns biscoitos já muito velhos, latinhas de refrigerante, papéis de chocolate, bala, paçoca; afinal, onde não existe sujeira neste mundo?
Vale dizer que a minha idade era aquela na qual as pessoas tendem a idiotice, umas por auto-defesa, outras por afinidade, mas creio que no meu caso era mesmo por ignorância.
Pois bem, era uma sexta ensolarada e quente, o dia perfeito para ler e anotar qualquer coisa em meu quarto; é bem verdade que nunca tive espírito, e agora pensando, percebo que as pessoas que escreveram a "qualquer coisa" que eu lia o tinham menos ainda; eu precisava saber qualquer coisa para um dia, enfim ,me tornar coisa qualquer. Esse vício impensado que temos de nos eruditizarmos... Pois o que é um erudito!? Um careca corcunda de óculos? Não!, esse é meu vizinho Ramirez e por sinal muito boa gente. O erudito é alguém que está sempre com o dedo apontado na sua cara dizendo : "viu?!" Ocorre com muitas pessoas quando pisam em uma barata e ao perceberem que essa ainda vive, dão um golpe final e exclamam senhoras de si : "maldita!" Já eu digo : "erudito!"
Mas não era assim, já louvei dessa gente, já exercitei a virtude dos eruditos (ler, decorar, memorizar, armazenar, decodificar e repetir) mas como nunca fui de levar as coisas muito a sério e nunca houve em mim, paciência para tal empreendimento resolvi assumir quem sou! E no dia dessa descoberta me senti livre! Eram versos de Fernando Pessoa que ecoavam em minha cabeça., e, se antes os achara tolo, agora eles faziam todo sentido. Ei-los:

"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.

Livros são papéis pintados com tinta
Estudar é uma coisa que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma".

sábado, 20 de setembro de 2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Alguns poemas chineses



Frescura de outono


Calmo, tranquilo, durmo o dia inteiro,
velho, doente, esquecido pelos outros homens.
Ao cair da tarde, à entrada de casa,
um imenso tapete de flores de acácia.

Os grous

As pessoas procuram sempre o que lhes dá prazer,
imutáveis as coisas, mutáveis os sentimentos dos homens.
Talvez os grous possam dançar, elegantes e altivos.
Gosto mais deles, de pé, silenciosos, solitários.

No lago

Regressa a menina conduzindo a barca,
com os lótus brancos roubados no lago.
Não pode ocultar sua presença,
a barca deixa um rasto através dos juncos flutuantes.

Sossego

(felicitando-me pelo bom da vida, durante um breve afastamentodos cargos oficiais)

De casaco acolchoado, orelhas aquecidas, sapatinhos felpudos,
no torreão, à janela, sentado à braseira,
corpo em sossego, coração em paz, tarde levantar,
Pergunto-me se os cortesãos na capital conhecem o bom da vida.

Junto ao lago
II

Em águas pouco profundas
nadam poucos peixes.
Quando o grou tem fome,
abre muito os olhos, espera os peixes,
parece sereno,
mas quanta ansiedade!
Difícil distinguir entre o que está fora
e o que está dentro.

Renúncia

O budismo ensina o abandono, a renúncia,
a alma imóvel como água adormecida,
o corpo vazio como nuvem flutuante.
Despi as vestes manchadas de poeira,
libertai-vos do eterno cículo da vida e da morte.