
100 anos sem o "inadjetivável" (e é esse o adjetivo que lhe cabe) escritor. Então, é este o momento oportuno, para uma breve, porém sincera homenagem a Machado de Assis. Cá com os nossos botões, o que escreveria Machado se ainda estivesse vivo? Nada! Nasceu, escreveu e morreu na hora certa. Perdoa-nos Machado, mas vamos comemorar com vossos próprios escritos, os 100 anos de vossa morte.
"Filosofia dos Epitáfios"
"Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos."
(Memórias Póstumas de Brás Cubas)
"A um Crítico"
"Meu caro crítico,
Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinqüenta anos, acrescentei: "já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto como nos primeiros dias." Talvez aches esta frase incompreensível, sabendo-se o meu atual estado; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase da narração da minha vida experimento a sensação correspondente. Valha-me Deus! É preciso explicar tudo."
(Memórias Póstumas de Brás Cubas)
" O Assombro de Itaguaí"
"E agora prepare-se o leitor para o mesmo assombro em que ficou a vila, ao saber um dia que os loucos da Casa Verde iam todos ser postos na rua.
_ Todos?
_ Todos."
( Fragmento do capítulo XI do conto " O Alienista")
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