Das Angústias Contemporâneas
Eu sempre morei longe. Num determinado momento isso se tornou inevitável e irrevogável, parecia necessário estar distante. Da janela eu vejo a chuva cair, o céu escurecer e parece que essa distância é um espaço infinito. Quando penso... Tristeza foi a razão de descobrir que sempre seguindo o aceno do lar eu fui me perdendo. Tudo foi erro?
Cai; cai a chuva e não consigo saber há quanto tempo isso me distraiu. Do lado de fora a chuva, fria, fina e continua prenunciava o que seria o outono, sob o ritmo da chuva tudo estava se guardando, nada morre no outono, tudo se guarda. “Mas que ridículo” eu penso, “deixa a natureza ser sem o Heidegger, vai?!”
Quatro horas depois: rádio ligado, vinho consumido, chocolate à mãos; eu olho da janela, ainda distraída mas agora sem saber, alegre ou triste? Num sei... mas me sinto enfim, ligeiramente perto de casa.
domingo, 18 de setembro de 2011
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